Os resíduos orgânicos (ramagens, resíduos de jardins e parques, alguns resíduos agrícolas e restos de alimentos) podem ser valorizados, através de um processo chamado compostagem.
A compostagem consiste na degradação aeróbia (em presença de ar) dos resíduos orgânicos até à sua estabilização, ou seja, o processo natural pelo qual os microrganismos transformam a matéria orgânica.
O produto final da compostagem constitui uma substância húmica estabilizada (o composto), uma espécie de fertilizante com propriedades de corrector de solos, utilizado na agricultura.
A Instalação de Compostagem da ETRS da Meia Serra
A Instalação de Compostagem de Resíduos Sólidos Urbanos (ICRSU), localizada na Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos da Meia Serra (ETRS), opera essencialmente com resíduos verdes provenientes de recolha selectiva, tais como resíduos de jardins e parques e alguns resíduos agrícolas.
Como funciona a Instalação de Compostagem?
Esses resíduos verdes provêm de recolhas selectivas efectuadas pelos Municípios, mas também dos diversos Ecocentros da Região, onde qualquer pessoa os pode entregar (ETZO, ETZL e CPRS).
Recolha selectiva de matéria orgânica
Para complementar os resíduos verdes recebidos actualmente e tirar maior partido da capacidade de processamento da ICRSU, está prevista a implementação de um programa de recolha selectiva de matéria orgânica junto de grandes produtores (hotéis, restaurantes, cantinas e mercados), correspondente a resíduos resultantes da preparação e confecção de refeições.
A recolha terá incidência principalmente nos concelhos do Funchal e de Santa Cruz, onde se encontra uma maior densidade populacional e turística e, consequentemente, uma maior concentração de grandes produtores.
Com a introdução de mais quantidade e variedade de matéria orgânica no processo de Compostagem, será possível recuperar uma boa parte da fracção orgânica dos resíduos urbanos. Actualmente estima-se que a matéria orgânica atinja entre 1/3 e metade do total dos resíduos que são encaminhados para valorização energética (incineração). Com o aumento da recolha selectiva, uma grande parte dessa matéria orgânica (apenas a de origem vegetal) será desviada da incineração e reciclada através da compostagem.
Como se faz compostagem caseira?
A compostagem é um processo de reaproveitamento de resíduos orgânicos que também pode ser realizada em casa.
O composto, ou correctivo orgânico, é importante para o enriquecimento dos solos e para reduzir a necessidade de aplicar fertilizantes e pesticidas. Entre os principais benefícios contam-se os seguintes:
- Adiciona matéria orgânica e nutrientes, aumentando a fertilidade e a vida do solo;
- Ajuda a reter a água nos solos arenosos e dá porosidade aos solos argilosos, melhorando a estrutura do solo;
- Introduz no solo organismos benéficos, como bactérias e fungos, que têm a capacidade de passar os nutrientes da parte mineral do solo para as plantas;
- Previne a erosão do solo;
- Reduz o aparecimento de pragas e doenças, aumentando a resistência das plantas;
- É fácil de usar e aplicar.
Antes de mais, é necessário construir um compostor, ou seja, o recipiente onde se fará a compostagem. Um compostor pode ser feito de vários materiais, desde madeira, plástico, rede, tijolos ou mesmo de ramos de arbustos. Deve ter no mínimo 300 litros de capacidade, excepto se for em pilha (1000 litros). A escolha do compostor depende da estética, do volume, do preço, da facilidade de utilização e manutenção, entre outros.
No compostor podem ser colocados restos de alimentos (de origem vegetal) e restos de jardim verdes ou secos, sempre cobertos com materiais secos e de pequenas dimensões.
Os principais passos para fazer compostagem são os seguintes:
- Escolher o local - No jardim ou na horta, abrigado do vento e idealmente debaixo de uma árvore de folha caduca, o que permite sombra no Verão e sol no Inverno;
- Preparar o fundo - No fundo do compostor, colocar uma camada de ramos para permitir a circulação de ar, a entrada de organismos e a drenagem das águas;
- Boa mistura de materiais - Para satisfazer os requisitos nutricionais dos organismos, o enchimento do compostor deve ser feito às camadas, intercalando resíduos verdes - ricos em azoto - (flores, folhas, relva, cascas de frutas) e resíduos castanhos - ricos em carbono - (palha, folhas secas, relva seca). A última camada a adicionar deve ser sempre de castanhos, pois diminuem os odores e o desenvolvimento de insectos e outros animais indesejáveis;
- Garantir arejamento - Remexer o conteúdo do compostor quando compactado. Ao espremer uma pequena quantidade de material, deve-se ficar com a mão húmida mas não a pingar;
- Garantir humidade - Se a pilha estiver muito seca, adicionar água ou resíduos verdes. Se estiver muito húmida, juntar resíduos castanhos.
Os materiais orgânicos que podem ser compostados classificam-se, de uma forma simplificada, em castanhos e verdes. Para que a compostagem decorra da melhor forma, convém ter a maior diversidade de resíduos possível, numa proporção aproximadamente igual de castanhos e verdes.
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Verdes (ricos em azoto, mais húmidos) |
Castanhos (ricos em carbono, mais secos) |
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restos e cascas de legumes e verdura restos e cascas de frutas relva, folhas verdes e flores cascas de árvores pó/borra de café arroz, massa cascas de ovos esmagadas folhas e sacos de chá cereais restos de alimentos (de origem vegetal) cozinhados |
restos de pão cascas de frutos secos aparas de madeira e serradura relva e erva seca folhas secas feno, palha cinzas de madeira caixas de ovos em cartão |
Devem ser tomadas algumas precauções com a utilização dos seguintes resíduos:
- Cascas de ovos - devem ser esmagadas;
- Ramos de arbustos, palha e feno, papel e cartão - deve-se cortar (curto);
- Restos de comida cozinhada, sem gordura - deve-se tapar com materiais secos;
- Cinzas de lenha - usar pouca quantidade;
- Serradura de madeira não tratada - usar pouca quantidade;
- Plantas resinosas - usar pouca quantidade.
Não devem ser utilizados outros resíduos orgânicos, como os de origem animal (restos de carne e peixe, ossos e espinhas, gorduras, excrementos de animais), cinzas de cigarros e carvão.
Há ainda que ter cuidado com algumas pragas e doenças que possam aparecer, normalmente associados ao não cumprimento das indicações atrás descritas.
No final do processo (após algumas semanas ou meses) obtém-se o composto, um material com cheiro a terra, usado para relvados, vasos, canteiros e floreiras. Uma mistura de 1/3 de composto, 1/3 de areia e 1/3 de terra é um rico adubo para plantas novas, floreiras e plantas de interior.