Mais que criar taxas sobre a utilização
Depois de ter sido dado como certo que os cidadãos iriam passar a pagar uma taxa de cinco cêntimos por cada saco de plástico utilizado nos supermercados, o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, veio ontem a público dizer que essa era apenas uma das hipóteses para o Governo da República tentar reduzir as duas mil toneladas de sacos de plástico anualmente utilizadas pelos cidadãos.
Na Região, esta medida, ainda que no plano das hipóteses, seria, segundo o director regional do Ambiente, uma das soluções para "travar" o desperdício dos sacos de plástico, uma vez que, segundo João Correia, «há, de facto, algum desperdício que é facilmente constatável nos supermercados».
O problema, tal como referiu, «não está nos sacos de plástico em si, uma vez que ele poderá entrar no circuito da reciclagem, com os embalões. Mas, mesmo que vá para o lixo indeferenciado, vai para a Meia Serra onde é incinerado, tendo, de alguma forma, uma valorização energética».
Nesse sentido, e independentemente da solução que venha a ser adoptada, João Correia considera que a principal intervenção deveria passar pela sensibilização dos cidadãos para uma adequada utilização dos sacos de plástico, evitando os desperdícios.
Por outro lado, diz também que deveriam ser apresentadas alternativas aos consumidores. Pois, neste momento, «o sistema está feito de uma forma que o cliente quase que é obrigado a levar sacos de plástico, mesmo que não queira».
De uma forma geral, segundo João Correia, uma boa parte das pessoas já faz uma utilização racional dos sacos plástico, reutilizando-os, por exemplo, nos caixotes de lixo e noutras aplicações. Nesses casos, disse o director regional do Ambiente, «não poderemos considerar que seja um desperdício».
Por isso, João Correia diz que nestas matérias é preciso também ter uma certa prudência com tudo isto. Não podemos ser fundamentalistas nestas questões».
In "Jornal da Madeira", 06-12-2007