Manuel António na assinatura de contrato entre Valor Ambiente e Amb3E
O secretário regional do Ambiente afirmou ontem que a Madeira apostou em equipamentos e em soluções institucionais para a reciclagem ao nível de todas as fileiras de resíduos. Agora, resta às empresas e cidadãos o cumprimento da sua parte. Quem não colaborar, vai ser punido.
Manuel António avisou, ontem, as empresas e os cidadãos em geral que, a partir do momento em que estão criadas todas as condições, não há desculpas para quem deixar de cumprir com as suas obrigações ao nível da protecção do Ambiente.
O secretário do Ambiente garantiu que a partir de agora haverá uma maior mobilização das entidades fiscalizadoras e, se for necessário serão aplicadas multas.
O governante falava na cerimónia de assinatura de um contrato com a Amb3E para recepção de resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos. Uma iniciativa que decorreu na Estação de Transferência da Zona Oeste, na Ribeira Brava, e com contou ainda com a presença do representante da empresa Amb3E, com a responsável pela Valor Ambiente e de um representante da edilidade ribeirabravense.
Na oportunidade, o secretário regional do Ambiente lembrou que ninguém procura uma terra com má gestão ambiental para viver ou para passar férias. Deste modo, considerou que é preciso continuar a investir no bom ambiente, uma vez que «estamos a falar de qualidade de vida, de competitividade».
Manuel António realçou o facto de a Madeira ter tido um propósito claro de arranjar solução para a reutilização em todas as fileiras de resíduos pelo que, no seu entender, o Governo Regional «tem legitimidade para castigar» aqueles que continuam a não manifestar qualquer preocupação com o ambiente.
A ocasião foi aproveitada para o secretário regional da tutela lembrar aquilo que tem sido feito pelos madeirenses em prol do ambiente na Região.
A propósito, afirmou que cada madeirense está a reciclar 54 quilos por ano, quase três vezes mais que a média nacional. Disse acreditar que, também na área da recuperação de resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos, «vamos ter bons exemplos».
A cerimónia de assinatura do contrato com a Amb3E foi ainda aproveitada para Manuel António esclarecer as ideias que se criar em torno das consequências negativas que poderiam surgir aquando da entrada em funcionamento da incineração na Estação da Meia Serra.
Na altura, terá sido dito que esta medida significaria um desinvestimento na reciclagem. O secretário regional do Ambiente provou ontem, com a apresentação de números, que tal não veio a acontecer.
Segundo disse, em 2003, fez-se reciclagem de 18 mil e 882 toneladas, enquanto que, em 2006, o número subiu para as 21 mil 150. Por outro lado, a produção de resíduos estagnou em 2006, o que mostra que, mesmo na dependência da incineradora, «conseguimenos controlar o crescimento que estava a verificar-se ano após ano. No primeiro trimestre do corrente ano, «descemos 5,2 por cento comparativamente ao mesmo período do ano passado na quantidade de resíduos produzidos»,. disse ainda o secretário regional do Ambiente.
Previsões para este ano: RAM exporta 640 toneladas
A Região deverá exportar para reciclagem, até o final do ano, 640 toneladas de resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos.
Um valor que baterá o registado no ano passado e que foi de 520 toneladas. No entanto, as 640 toneladas previstas de exportação não são ainda o número desejado quer pelas entidades regionais, quer pela própria Amb3E.
O objectivo é o de ultrapassar as 700 toneladas. Para isso, conforme disse ontem Joana Rodrigues, da Valor Ambiente, «contamos com a colaboração de algumas entidades, noeadamente da Direcção Regional de Comércio e Indústria, a qual terá que nos ajudar a ver se está a ser cumprida a lei».
Refira-se que no âmbito do contrato ontem assinado, a Valor Ambiente passa a receber, nas suas instalações (Centro de processamento do Porto Santo e Estações da Zona Oeste e Leste), os resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos, para triageme armazenamento provisório, antes de serem enviados para reciclagem ou valorização.
A Amb3E é uma associação que tem por fim a gestão de resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos.
A licença para a extensão da actividade na Região foi concedida pela Direcção do Ambiente a 30 de Junho de 2006. Ontem, esta e a Valor Ambiente assinaram um contrato.
In Jornal da Madeira, 13/06/2007