Valor Ambiente - Gestão e Administração de Resíduos da Madeira, S.A.

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Lixo mal aproveitado

A Meia Serra só transforma em fertilizante 12% das 23 mil toneladas que pode processar. A ‘Valor Ambiente’ equaciona a recolha porta a porta dos resíduos de origem vegetal.

Potencial dos resíduos orgânicos mal aproveitado

Temos capacidade para transformar 23 mil toneladas de matéria vegetal, mas como não há separação dos resíduos, a compostagem fica-se pelos 12%.

Estima-se que quase metade do lixo comum é de origem vegetal, por isso, pode ser facilmente reciclado através de um processo de compostagem. No entanto, das cerca de 144 mil toneladas de resíduos indiferenciados que foram tratados na Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos (ETRS) da Meia Serra em 2007, apenas 2.660 toneladas foram transformadas em fertilizante. Falta separar os resíduos verdes do lixo comum, caso contrário vão directamente para a incineradora.

Os restos de alimentos, cascas de legumes e fruta, de ramagens ou de aparas resultantes da poda dos jardins, como são biodegradáveis, podem ser facilmente transformados em fertilizante. A receita é caseira e não é nova, mas como há cada vez menos espaço em casa para a compostagem, os restos de matéria orgânica acabam por ir todos parar ao caixote do lixo.

Para reciclar ao máximo essa matéria orgânica, e desviá-la da incineração, a Valor Ambiente, responsável pela gestão de resíduos da Madeira, está a pensar implementar um sistema de recolha selectiva de resíduos verdes, como já existe nalguns pontos do país.

Só assim poderá ser aproveitada ao máximo a capacidade de processamento da unidade de compostagem, que funciona desde 2003, na Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos da Meia Serra. Em 2007 foram processadas 2.660 toneladas de resíduos verdes, numa instalação com capacidade para mais de 23 mil toneladas (cerca de 12%).

O programa de recolha selectiva de matéria orgânica funcionará inicialmente junto de grande produtores (restauração e cantinas, hotéis, mercados, feiras e grandes superfícies, lotas de peixe, zonas verdes e campos desportivos relvados, indústrias alimentares, etc.), principalmente nos concelhos do Funchal e Santa Cruz, onde se regista uma maior densidade populacional e uma maior incidência turística.

Todavia, segundo disse ao DIÁRIO, Joana Rodrigues, presidente do Conselho de Administração da Valor Ambiente, não é descabido pensar que o futuro da reciclagem passará pela instalação de um contentor específico para a recolha de matéria orgânica junto do embalão, vidrão, papelão e pilhão, actualmente num ecoponto perto da sua casa.

Adubo à espera de certificação

O fertilizante 100% vegetal produzido pela unidade de Compostagem da ETRS da Meia Serra, ainda não entrou nos circuitos do mercado. Aguarda ainda certificação junto da Direcção Regional do Comércio, Indústria e Energia.

A marca do produto está a ser ultimada, por isso a responsável pela Valor Ambiente espera que o processo esteja concluído ainda este ano. Joana Rodrigues salvaguarda porém que este adubo será introduzido no mercado mediante apenas um "valor simbólico", que não suportará os custos totais de produção.

Até que o processo de autorização para comercialização esteja concluído, o fertilizante produzido na Meia Serra vai continuar a ser gratuito para todos os agricultores que o queiram testar nas suas culturas. "Apenas têm que nos reportar quais os resultados obtidos", acrescentou Joana Rodrigues.

Esta aposta da Valor Ambiente no reaproveitamento dos resíduos orgânicos será acompanhada, no próximo ano, por uma forte campanha de sensibilização. Os madeirenses estão cada vez mais receptivos à necessidade de separar os diferentes resíduos e colocá-los no ecoponto, mas ainda não valorizam totalmente o potencial dos resíduos orgânicos.

Em relação à média da população portuguesa, os madeirenses têm tido um comportamento exemplar. "Somos a Região que mais tem contribuído para que Portugal atinja as metas de reciclagem per capita", sublinhou a responsável pela Valor Ambiente. Em 2007, 17% do total dos resíduos produzidos na Madeira, foram enviados para reciclagem no continente.

Do caixote do lixo à reciclagem

Existe pelo menos três formas de valorização das quase 200 mil toneladas de lixo anualmente produzidas na Madeira. Os resíduos orgânicos dão origem a fertilizante. Os materiais recicláveis transformam-se em novos e os resíduos indiferenciados são reaproveitados sob a forma de energia eléctrica. Assim, nada se perde, tudo se transforma.

Depois de recolhido porta a porta, o lixo comum é encaminhado para a ETRS na Meia Serra, mas antes, de forma a optimizar o transporte, passa por uma Estação de Transferência para ser compactado num contentor com maior capacidade.

Além da Estação de Transferência dos Viveiros, que processa, há mais de 20 anos, o lixo do Funchal e também o de Câmara de Lobos, existem outras três da responsabilidade da Valor Ambiente: no Porto Santo, no Porto Novo (Santa Cruz) e na Meia Légua, (Ribeira Brava).

Só no Porto Novo chegam diariamente cerca de cinco camiões com capacidade para 18 toneladas de resíduos indiferenciados cada um.

Os resíduos provenientes do Porto Santo são transportados no Lobo Marinho, num contentor hermético e vão directamente do porto do Funchal para a Meia Serra.

A viagem dos resíduos recicláveis é mais longa. O conteúdo dos ecopontos vai todo para a Estação de Triagem da Madeira, no Porto Novo. À chegada, o papel e cartão, e o conteúdo do embalão sofrem um novo processo de triagem, antes de seguirem para o continente.

Na linha de triagem do ecoponto azul e do amarelo, os resíduos são separados consoante o material de que são constituídos, e só depois são enfardados. A separação dos diferentes tipos de embalagens é automática, ao contrário da linha do papel/cartão que depende totalmente dos operadores de triagem.

Máquinas de lavar louça ou roupa, frigoríficos, fogões, aspiradores, óleos lubrificantes usados e pneus podem ser entregues gratuitamente nas Estações de Transferência, assim como sucata, baterias de automóveis e objectos grandes, como colchões por exemplo, consoante uma tarifa em vigor. As lâmpadas fluorescentes são também passíveis de reciclagem, não as coloque no lixo comum.

Existem resíduos que não são passíveis de ser reciclados, nem incinerados. Um colchão, por causa das suas molas, não pode ser colocado na incineradora, por isso é enviado para um aterro sanitário, que é constantemente monitorizado pelos serviços da ETRS da Meia Serra.

No ano passado, do total de resíduos indiferenciados que entraram na ETRS da Meia Serra, 92% foi valorizado, quer orgânica, quer energeticamente, apenas 8% foram para aterro sanitário.

Incineração completa reciclagem

A incineração dos resíduos sólidos urbanos deve ser vista como um processo complementar da reciclagem. Desde que a unidade de incineração começou a laborar na Região, em 2004, a taxa de reciclagem aumentou 34%.

"Com a incineração não queremos produzir apenas energia eléctrica e acabar com a reciclagem", garantiu a presidente do Conselho de Administração da Valor Ambiente.

Ao produzir energia eléctrica a partir da queima do lixo comum estamos também a reciclar. Evitamos o consumo de combustíveis fósseis, e preservamos o ambiente, explicou Joana Rodrigues. Em 2007, a energia eléctrica produzida na incineradora da Meia Serra serviu para alimentar 17.500 fogos, cerca de 15% da população madeirense.

Está comprovado que os índices de reciclagem são maiores em países onde existe incineração.

144 mil

São as toneladas de resíduos que foram valorizados em 2007 na Estação de Tratamento da Meia Serra. Só 8% foi para aterro. Os restantes foram queimados e garantiram 15% do consumo doméstico de energia.

Tirar dúvidas e desmistificar mitos

• Se não separar o lixo em casa, ninguém o separa por si. A partir do momento em que deposita os resíduos no contentor de lixo comum, o seu destino é a incineradora, mesmo que sejam passíveis de serem reciclados. Nas Estações de Transferência do Porto Novo ou da Meia Légua, assim como na Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos da Meia Serra não é feito qualquer tipo de triagem ao contentor de resíduos indiferenciados recebido.

• A incineração dos resíduos indiferenciados na Meia Serra, para a produção de energia eléctrica, não é feita ao ar livre. O lixo comum é queimado num forno-caldeira. Todos os gases aí produzidos são tratados e o ar é constantemente controlado.

• Se não tem a certeza de qual o contentor em que deve depositar, por exemplo, um pacote de leite, mais vale colocá-lo no contentor de lixo comum. Ao contrário do que está indicado na embalagem, o pacote de leite deve ser colocado no ecoponto amarelo (embalão). Ao colocá-lo no ecoponto azul (papelão) poderá contaminar todos os resíduos aí depositados se não escorrer bem o conteúdo da embalagem. Ao ser contaminado, todo o papel e cartão do papelão poderão não ser aproveitados, e seguirem totalmente para a inceneradora.

• As embalagens de óleo de cozinha podem também ser depositadas no ecoponto amarelo, quando previamente escorridas.

• Todos os resíduos separados em casa com destino à reciclagem não são misturados à posteriori. Sofrem um processo de triagem, mas apenas para separar o tipo de material de que são compostos. No caso do ecoponto amarelo (embalão), são separadas as embalagens plásticas das de metal, além disso é preciso também separar as latas de refrigerantes das latas de conserva, pois as primeiras são feitas de alumínio e as últimas de um material ferroso. No caso do ecoponto azul (papelão), o papel, revistas e diários são separados do cartão.

In "Diário de Notícias", 03-06-2008

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